
14 set Naimaculada lança novo EP, “ACROMATOPSIA”

Créditos: @marcoshermes
A NAIMACULADA, banda que se define como um projeto antropofágico, devorando referências para construir uma identidade sonora própria, lança hoje seu novo EP, “ACROMATOPSIA”. Distúrbio visual raro e não progressivo, a acromatopsia impede a pessoa de perceber cores, fazendo com que ela enxergue o mundo apenas em tons de preto, branco e cinza. “O primeiro intuito do título era inspirado por a gente andando por São Paulo e ver tudo preto e branco, é tudo diferente, mas seguindo um padrão”, explica o vocalista Ricardo Paes.
O EP aborda as diferentes percepções que as pessoas têm da sociedade, das coisas ao redor e de como administram, para o bem e para o mal, os objetos próprios e os compartilhados, além de como cada um lida com o tempo, sofrendo ou se dando bem com ele. Para o vocalista, é o trabalho mais plural e indefinível da banda até aqui, pois mesmo tratando de temas pessoais e intransferíveis, o disco encontra uma linguagem que pode ser compreendida por qualquer pessoa.
Em 4 faixas, “ACROMATOPSIA” passeia por diferentes retratos do cotidiano, unindo colaborações entre gerações e continentes. Parte do disco, inclusive, foi gravada em Shijiazhuang, na China, com músicos locais tocando instrumentos da cultura chinesa. A escolha remete ao livro “Horizonte Perdido” (1933), de James Hilton, que retrata a cidade utópica de Shangri-La como um refúgio de paz isolado do caos do mundo exterior, um contraponto à realidade turbulenta que vivemos hoje.
“Pecado Tem Medo”, com BNegão e Thalin (do projeto “Maria Esmeralda”), é descrita por Ricardo como o retrato do cotidiano de um artista no século 21. “A gente tem que lidar com a criatividade e com questões da vida como inseguranças, desejos, promessas e projeções, é como enfrentamos tudo isso estando nesse mercado”.
“Shangrilá”, com a rapper Nabru, nasce de uma conversa entre os dois artistas sobre os dissabores percebidos ao longo do caminho sinuoso da vida artística. “É justamente uma conversa com alertas de alguém que de certa forma veio antes, de um contexto parecido, e que vivencia os luxos, prazeres e descontentamentos de ser artista”.
“Terminal Bandeira” é uma faixa instrumental com participação de Kiko Dinucci na guitarra. Ela pinta a conformidade distópica do dia a dia, simbolizando “o caos urbano incessante”. E a última faixa, “O Que É Que Será”, em parceria com Sol (banda Ímola), questiona a falta de movimento coletivo e como situações e traumas podem travar alguém, mas principalmente, como só essa pessoa pode se mover e fazer disso sua própria arte. “É sobre se expressar e ninguém poder te falar como, quando e onde fazer.”
A NAIMACULADA é formada por Ricardo Paes (voz), Luiz Viegas (baixo), Samuel Xavier (guitarra), Gabriel Gadelha (sopros), Pietro Benedan (bateria) e Duda Freitas (guitarra), nova integrante, que somou e colaborou no desenvolvimento dos arranjos e composições, formando agora uma dupla de guitarras.
“ACROMATOPSIA” já está disponível em todas as plataformas digitais, pela gravadora Deck.